“Foi um milagre”: soldado salva recém-nascido engasgado em Passo Fundo

Bebê de 12 dias engasgou com remédio para cólica e recebeu a manobra de Heimlich na guarita da sede da Brigada Militar, na Avenida Presidente Vargas

Günther Schöler GZH

Um “milagre”: assim o soldado da Brigada Militar, Jackson Gustavo Perrotti Domingos, classifica o episódio ocorrido na madrugada deste domingo (18), quando salvou um bebê recém-nascido engasgado.

O soldado estava na guarita da sede da Brigada Militar, na Avenida Presidente Vargas, em Passo Fundo, quando, por volta de 1h, foi surpreendido pela buzina do carro dos pais, que chegavam correndo ao local. Segundo eles, o menino Anthoni se engasgou ao tomar remédio para cólica.

— Até tomei um susto na hora. Aquele pai e aquela mãe gritando por socorro: “salva meu filho” — lembra.

Ao olhar para o menino de 12 dias veio a preocupação: ele já estava sem respirar e com a face e lábios arroxeados — contexto conhecido como “cianose”, que ocorre pela falta de oxigênio no sangue.

Foi então que o soldado virou a bebê de bruços e começou a fazer a manobra de Heimlich, técnica de primeiros socorros usada para desobstruir as vias aéreas de pessoas engasgadas.

— Bati três vezes nas costas e nada. Na quarta ou quinta vez, começou a dar sinal de querer respirar e eu continuei. Daqui a pouco deu aquele berro, o berro do milagre. E aí voltou à vida — contou Domingos, emocionado.

Apesar dos cursos de salvamento, o soldado nunca havia enfrentado situação parecida.

— Acredito que o que mais contou na hora foi o treinamento da Brigada Militar. E agir na hora certa. A gente tem que fazer alguma coisa, né? Foi um milagre mesmo, foi inexplicável — lembra.

“Foi Deus que botou ele no nosso caminho”, diz pai 

Depois da ação, o menino foi levado para avaliação médica no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) e liberado em seguida. Segundo o pai, Fabrício Fabius Miranda Paim, Anthoni já está em casa e passa bem. Passado o susto, a sensação é de alívio e gratidão:

— Pareceu uma eternidade. Eu cheguei dirigindo e perdi as pernas. É uma situação que a gente não deseja para ninguém. (Após o salvamento), ele (o soldado) disse: “ó, teu filho está respirando”. Chega a arrepiar.

Depois que Anthoni voltou a respirar, foi preciso que outros soldados da Brigada Militar conduzissem o carro de Fabrício: o susto foi tão grande que ele ficou desorientado para dirigir até o hospital.

— Eu não conseguia mais, perdi as pernas. Foi Deus que colocou ele no nosso caminho. A gente é muito grato — terminou, aliviado.

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